De desenvolvedor a "analista de sistemas"

Prezados,

Depois de alguns bons anos atuando como analista/desenvolvedor, tive uma boa proposta para trabalhar em uma grande empresa como “analista de sistemas”. Se antes eu passava cerca de 60~70% do tempo desenvolvendo ou resolvendo algum problema técnico, neste trabalho tenho passado menos de 5% deste tempo, pois quase todos os projetos são terceirizados. Como cada um tem o seu perfil, o meu é criar a solução, gosto de entender e aplicar detalhes técnicos, buscar melhores soluções, o que para este tipo de cargo às vezes é o mesmo que deixar a desejar, pois é preferível para estes conduzir vários projetos em paralelo “do jeito que der”, sem precisar entender muito da parte técnica, do que focar em um projeto específico para entregar uma boa solução.

Ao conversar com alguns amigos de cabeça branca, uns dizem que é dar tempo ao tempo, outros dizem que se for para ficar frustrado em fazer o que não se gosta, é melhor correr atrás do seu “sonho”, e já ouvi outros com a ridícula frase “está reclamando do que? você deixou de programar, logo evoluiu”, etc… certamente aqui no GUJ devem ter vários usuários que já passaram por este tipo de situação. Caso possam compartilhar suas experiências, sintam-se à vontade.

Sabe o que eu faço quando acho que não estou programando o suficiente? Venho aqui no GUJ resolver os problemas (técnicos) dos outros. Santo remédio.

[]'s

Tive que ler a pergunta algumas vezes até entender direito: primeiro pensei que você estava em dúvida se aceitava ou não a proposta; depois vi que na verdade essa já é sua realidade.

Aqui na empresa onde estou alocado tem algumas pessoas que tem esse trabalho de conduzir projetos que estão em “fábricas” (no caso, eu sou um dos peões da fábrica hehe). Sinceramente, acho esse trabalho MUITO chato! A vida deles é cronograma, requisito, aprovação, orçamento… são pessoas competentes tecnicamente, mas sua função permite lidar com a parte técnica apenas de forma superficial, “macro”.
Realmente é questão de perfil. Ou por gostar da área de gerenciamento, ou por achar que é uma maneira de a carreira ir mais longe, ganhar mais visibilidade dentro da empresa.

E você, o que sente especificamente? Você odeia seu trabalho? Ou gosta dele PORÉM sente falta de programar?

Se for o primeiro caso, talvez seja mesmo questão de pensar cuidadosamente sobre voltar a ser um técnico. Se for o segundo dá pra usar paliativos… como disseram, analise alguns problemas no fórum, crie seu próprio jogo ou aplicativo, envolva-se em um projeto open-source…

[quote=blackforce] e já ouvi outros com a ridícula frase “está reclamando do que? você deixou de programar, logo evoluiu”, etc…
[/quote]

Mentalidade tipica de brasileiro.

Sim, já é a realidade há alguns meses. Desculpe pela falta de clareza no texto, não o revisei da forma como gostaria.

Na verdade, quando você tem um trabalho mais técnico, seja desenvolvedor ou derivados, está (ou deveria estar) preocupado em evoluir do ponto de vista técnico, ou seja, em conhecer melhores práticas, padrões, soluções, frameworks, técnicas, etc… quando está envolvido da forma como mencionei, a preocupação muda de foco, fica mais voltada para conhecer melhor o negócio da empresa, em maximizar entregas no menor tempo, em negociar melhor com terceiros, entre outros. Então a questão não é odiar o trabalho, é não estar envolvido diretamente com o que se gosta de fazer. Gosto de falar para meus amigos que deixei de fazer o que gosto para tentar aprender a gostar do que faço. :).

Eu abri o tópico justamente porque acredito que são duas carreiras completamente diferentes, e de forma alguma vejo uma como evolução da outra, como muitos pregam. E também acredito que neste fórum tenham pessoas com vários anos de estrada nestas duas situações, que podem compartilhar experiências interessantes.

Bom dia,

Minha opinião é a seguinte, o analista de sistemas testa, procura bugs ,faz levantamento de requisitos, cobra prazos e é cobrado quando os prazos não são atingidos, etc etc etc…

Claro que isso vai de empresa para empresa, pois na empresa que eu trabalho o "Analista de Sistemas" geralmente é o cara que bota a mão na massa, que desenvolve, estuda tecnologias.

No meu caso, hoje não estou na função que gostaria de estar, já fui Analista de Suporte > Analista de Sistemas > Analista de Suporte novamente, porém, ocupo meu tempo vago desenvolvendo freelances, eu ADORO desenvolvimento com um bom ROCK.

Eu vejo o teu caso como uma evolução sim, pois é sempre bom mudar né? O chato é viver na mesmice, só que se caso isso esteja te atrapalhando em alguma coisa, você deve reavaliar o que você precisa para estar bem!

Discordo dessa parte. Quem disse que um analista de sistemas não cria a solução ? Se eu disser qual parafuso apertar e outro apertar, eu não fiz parte disso ?
A questão é que o analista de sistemas que realmente “não programa/desenvolve” trabalha diretamente buscando soluções abstratas, documentando e projetando o sistema em si, não determinando exatamente a lógica e/ou tecnologia que será aplicada (a casos e casos). Muitas vezes, cabe ao arquiteto e/ou desenvolvedor senior dizer o que será empregado, como JPA ou “na mão” ? EJB ou sem EJB ? E etc.

O tempo ao tempo depende. Você me parece alguém que gosta e muito de desenvolvimento, eu, particularmente, me interesso mas pela gestão na área de TI que o desenvolvimento em si. Porque não tenta seguir uma carreira exclusiva de desenvolvedor e como consequência, alcançando níveis de engenharia e/ou arquiteto?

Abraços.

Sim, já é a realidade há alguns meses. Desculpe pela falta de clareza no texto, não o revisei da forma como gostaria.

Na verdade, quando você tem um trabalho mais técnico, seja desenvolvedor ou derivados, está (ou deveria estar) preocupado em evoluir do ponto de vista técnico, ou seja, em conhecer melhores práticas, padrões, soluções, frameworks, técnicas, etc… quando está envolvido da forma como mencionei, a preocupação muda de foco, fica mais voltada para conhecer melhor o negócio da empresa, em maximizar entregas no menor tempo, em negociar melhor com terceiros, entre outros. Então a questão não é odiar o trabalho, é não estar envolvido diretamente com o que se gosta de fazer. Gosto de falar para meus amigos que deixei de fazer o que gosto para tentar aprender a gostar do que faço. :).

Eu abri o tópico justamente porque acredito que são duas carreiras completamente diferentes, e de forma alguma vejo uma como evolução da outra, como muitos pregam. E também acredito que neste fórum tenham pessoas com vários anos de estrada nestas duas situações, que podem compartilhar experiências interessantes.

[/quote]

Vc está numa posição impar. Vc - ao contrário do resto dos analistas - entende que a tecnica é importante. Vc está numa posição que permite mudar a vida de muita gente e facilitar a vida de muita gente. A sua analise , e sobretudo a sua sintese ( que muitos analistas esquecem de fazer) pode levar a soluções que não obrigam os tecnicos a fazer gambiarra. Vc está mais no papel de um arquiteto ( tem um outro topico sobre isso) no sentido que cuida de todas as partes. Não menospreze o que isto signficia nem o desafio que lhe colocaram. Simplemente não ceda à pressão de ser como os outros , e não abandone os tecnicos. Forme vinculos com eles como vc formaria com os gerentes ou os clientes. É destes três lados que a sua profissão irá lhe dar satisfação - a integração das partes.

Se sua empresa terceirizou o desenvolvimento, não teria utilidade mesmo manter alguém com esse perfil.

Portanto neste caso sim, ter um membro coçando o dia todo é a opção “menos-evoluída”.

Aproveitar você em outra função por outro lado é uma boa idéia e se sair bem pode render um belo bônus pro seu gerente.