MarcioTavares:
mas isso não significa que só existam santos no time de suporte. Pelo contrário.
Nem santos nem demônios. Apenas gente, e certamente falível, como no “outro lado”.
Mesmo face a atitudes estúpidas, é a forma como se apresenta a situação e a postura, que sempre deve ser colaborativa e não majestática, que pode contribuir para a solução.
É delicado, pois o cenário típico envolve três atores distintos: o time de produção, desenvolvimento e o cliente de negócio, que paga a conta dos dois.
Pressionando por resultados, a tendência do cliente é suspeitar, e muito, do desenvolvimento, especialmente se ele não tiver perfil técnico e tiver participado do projeto desde sua concepção.
Explico: a produção é vista como algo mais próximo da realidade concreta. Afinal, o cliente vê servidores, equipamentos de rede, etc e tem impressão de uma certa “robustez”. Software, por outro lado, é algo meio esotérico, imaterial e - principalmente - caro.
Ah, sem contar que 75% dos projetos de software não atendem às necessidades do cliente e estouram em 100% o tempo estimado, entre outras estatísticas desagradáveis (gg: Software Crisis).
A tese de que a aplicação tem que estar preparada para um ambiente “hostil”. No seu caso, a aplicação seria capaz e, em minha opinião, teria o dever de informar claramente que o ambiente estava incorreto.
Nesta linha, sugiro uma pesquisa em alguns casos bem documentados de prejuízos gigantescos causados por software.
Como contra exemplo, tem um que gosto de citar para meu pessoal, que é o do computador de bordo da 1a nave que pousou na lua. Pelo que li, (uma DDJ, se não me engano), uma determinada rotina responsável pelo cálculo da quantidade de potência a aplicar nos retrofoguetes usava uma fórmula qualquer que incluia uma divisão. A especificação da rotina não falava nada sobre o tratamento a dar em caso de divisão por zero. O programador, por conta própria, resolveu colocar um tratamento. Resultado: na aproximação final, aconteceu a divisão por zero e, se não fosse o tratamento colocado, a nave abriria mais uma cratera na lua…
O estigma existe entre os desenvolvedores, e garanto que é recíproco por parte da produção - até aí dá empate ;^).
Nos níveis superiores, onde as áreas convergem, o que chega são os números, e estes não são muito favoráveis para o desenvolvimento.
Eu sei que são disciplinas diferentes e que não se pode medir as duas áreas da mesma maneira, afinal a produção de TI pode ser tratada com o ferramental clássico de engenharia de processos por ser mais “quadrada” (e tem que ser !). Já o desenvolvimento de software ainda é algum um tanto - como direi ? - imprevisível.