2008/3/5 Phillip Calçado <pcalcado@gmail.com>:
> Olá,
>
> Eu tenho um ótimo exemplo deste aspecto para ilustrar seu argumento,
> MT, e melhor ainda: um exemplo em que o cliente está tão satisfeito
> que quer evangelizar essas práticas.
>
>
http://video.globo.com >
> Talvez alguém se lembre do Globo Media Center, o produto que foi
> lançado junto com a globo.com. Minha equipe tinha como
> responsabilidade migrar o modelo antigo do Media Center, que não fazia
> sentido na web moderna, para o que é hoje o Globo Vídeos. Eu gerenciei
> o desenvolvimento deste produto e foi quando introduzimos agilidade
> (basicamente Scrum) na empresa.
>
> Migrar um site que bate recorde de audiência todos os anos (com o Big
> Brother Brasil), que tem como público pessoas acostumadas à uma
> linguagem diferente (TV) e ainda deve entrar dentros de critérios
> rígidos da matriz (a Globo.com, como é de se esperar, é parte das
> Organizações Globo e está submissa ao que é conhecido como Padrão
> Globo de Qualidade) não é fácil. Como mudar da noite para o dia o que
> os usuários estão acostumados?
>
> A solução? A cada 15 dias tem algo novo neste site. Bugfixes e
> alterações menores podem ser percebidas no dia-a-dia mas as grandes
> mudanças ficam acessíveis apenas de dentro da intranet. Os produtores
> -os clientes de verdade- acessam o site enquanto ele vai ser
> construído. O público -os usuários de verdade- é apresentado à
> mudanças apenas de maneira big-bang, como quando fomos dormir Globo
> Media Center e acordamos Globo Videos, com outro formato, outro layout
> e funcionalidades completamente diferentes.
>
> A cena é corriqueira: no início do projeto recebemos um zigalhão de
> requisitos que muitas vezes não faziam sentido. Vendo os releases
> quinzenais eles perceberam o que estava errado, o que podia melhorar e
> ainda removeram muitas coisas que perceberam -vendo o produto
> funcionando parcialmente- que não fazia sentido.
>
> A empresa está desde dezembro em processo de adoção do produto em larga escala.
>
> O blog do gerente de webmedia da empresa está aqui:
>
>
http://www.acarlos.com.br/blog/category/agile/ >
> O do Guilherme Chapiewski, que era desenvolvedor na minha equipe e me
> substituiu quando vim para a Austrália é esse:
>
>
http://gc.blog.br/index.php?tag=scrum >
> E eu escrevi um pouco sobre a experiência de adoção aqui:
>
>
http://blog.fragmental.com.br/2007/08/15/introduzindo-agilidade-num-ambiente/ >
> []s
>
>
> 2008/3/5 mtierno.rm <mtierno@rocketmail.com>:
>
>
> > Djalma
> >
> > Por entrega do tipo big bang eu entendo fazer o delivery em produção
> > de uma vez, certo?
> >
> > Bom, tem muito sistema que só funciona assim mesmo. Não dá (por n
> > motivos) para realizar a implantação em produção por partes.
> >
> > Então, vem a pergunta: que vantagem há em entregas parciais?
> >
> > Vamos lá: as entregas devem ser avaliadas pelo cliente, em ambiente
> > de desenvolvimento ou de homologação.
> >
> > A primeira vantagem é o controle do progresso real do projeto. Há
> > sensação de progresso e isso é muito importante para o time. Evita o
> > que o Brooks chamou de "Analysis Paralysis" (eu acho que foi o
> > Brooks, ok?).
> >
> > A segunda (e, ao meu ver, maior) vantagem é o feedback do cliente,
> > validando o entendimento dos requisitos, melhorando-os e
> > clarificando-os na mente do time de desenvolvimento e do próprio
> > usuário. O escopo dezlizante garante o cumprimento de prazo e custo
> > e força usuários a avaliar se a mudança que pedem é realmente
> > necessária, pois ela "custa" abrir mão de uma funcionalidade
> > previamente solicitada.
> >
> > Terceira vantagem: a sindrome do estudante a seu favor. Com ciclos
> > de desenvolvimento de 15 dias, a equipe vê-se constantemente no
> > deadline. O incremento de produtividade é notável.
> >
> > Há um grande número que eu poderia arrolar aqui. O importante é que
> > as entregas parciais mostram seu valor independentemente se o
> > delivery será "big bang" ou faseado.
> >
> > Como não há almoço grátis, é óbivo que há um preço a ser pago. Há um
> > overhead evidente.
> >
> > No fim das contas, um projeto tocado de forma super-iterativa terá
> > menos funcionalidades entregues do que um tocado de maneira cascata.
> > Aí entram as pesquisas que dizem que até 40% das funcionalidades de
> > um sistema nunca são usadas (pense no Word) e que as aplicaçoes
> > demoram um tempo para "estabilizar" depois de entregues, com numeros
> > pedidos de mudanças e "pequenas (ou grandes) adequações" por parte
> > dos usuários.
> >
> > As entregas parciais, é importante notar, endereçam os
> > aspectos "micro" das funcionalidades. Os aspectos "macro" vêm antes,
> > como estamos acostumados.
> >
> > []s
> >
> > MT.
> >
--
Phillip Calçado
http://fragmental.tw http://www.fragmental.com.br