Aplicações desenvolvidas em 5 minutos? é o que diz a IBM (Façam suas apostas: acarajé X hambúrguer)

Reportagem veiculada na revista Coleção Info - Exame - edição 44 - agosto/2007 - página 66/67

MASHUP NOS NEGÓCIOS

Antenadas com web 2.0, as empresas começam a mesclar aplicações
POR ROSA SPOSITO

Já pensou em usar um tipo de mixagem semelhante as das musicas do hip hop para criar aplicações, misturando informações e serviços de dentro e de fora da empresa? Pois é exatamente essa idéia por trás do conceito de mashup corporativo, que explora o uso de recursos da web 2.0 e tecnologias como Ajax, PHP e RSS.

O termo mashup deriva da prática do hip hop de mixar trechos de música e vem sendo
empregado por diversos sites na internet, com o objetivo de combinar informações de várias fontes num único endereço. No ambiente corporativo, esse recurso traz uma visualização fácil e rápida dos dados espalhados pela empresa, e até fora dela, com informações vindas, por exemplo, de sites na web.

Uma das empresas que vêm evangelizando esse conceito é a IBM, que lançou em fevereiro o QEDWiki, sua solução para enterprise mashup. “É uma tecnologia de framework que utiliza serviços web e recursos wiki para ajudar a criar mashups que combinam serviços, ferramentas e informações externas em uma aplicação flexível e de baixo custo”, diz Rod Smith, Vice-presidente da IBM para tecnologias emergentes (veja entrevista na página abaixo).

APLICAÇÕES EM CINCO MINUTOS

A idéia da IBM é aproveitar essa flexibilidade da web 2.0 para permitir que os próprios
usuários criem aplicativos para necessidades especificas, instantaneamente, sem precisar recorrer à equipe de TI da empresa - em geral, sobrecarregada. “O objetivo é que as aplicações possam ser criadas em cinco minutos”, diz Smith.
Em 2005, a IBM utilizou os recursos da web 2.0 na construção de um site destinado a ajudar as pessoas desalojadas pelo furacão Katrina a encontrar novos empregos. Batizando de Jobs4Recovery, o site funciona como portal de buscas que integra informações sobre oportunidades de emprego disponíveis em outros endereços na web - como Yahoo! Hotjobs.com, Indeed.com e jobCentral.com.
Ao digitar no campo de busca o tipo de emprego que deseja, o usuário recebe uma lista de opções, coletadas nos diversos serviços, com a indicação de sua localização no Google Maps. Smith afirma que, graças à facilidade das tecnologias da web 2.0, os programadores, conseguiram colocar esse portal no ar em poucos dias.
Outro exemplo real der aplicação esta na National Association of Broadcasters (NAB),
associação internacional que reúne as emissoras de rádio e televisão. “Trabalhamos com NAB para desenvolver machups para indústria de arte e entretenimentos“, diz Smith. “Equipes de produção trabalham em colaboração em projetos específicos, em tempo real, usando recursos como Ajax, Atom e mensagens instantâneas. Com solução da IBM é possível conectar toda equipe de pós produção de um filme - som, efeitos especiais, edição etc. - em uma aplicação que os permite acompanhar a evolução do trabalho e os recursos usados, distribuir tarefas,gerenciar orçamentos e atualizar conteúdos.”

NA COLA DO SOA
O mashup corporativo segue filosofia semelhante à do modelo SOA (sigla da service oriented architecture, arquitetura orientada a serviços), em que as aplicações são quebradas em componentes de serviços, que, por sua vez, podem combinados e misturados com outros serviços de acordo com as necessidades do negócio. Ambos permitem a reutilização de informações e de serviços já disponíveis para criação de novas aplicações sob medida para o usuário. E isso pode simplesmente mudar o modelo de desenvolvimento de software adotado
até agora na empresas.

Para o instituto Gartner, as aplicações compostas, criadas com base na combinação e na reutilização de informações, são um dos aspectos mais poderosos do SOA. Elas estão na base da estratégia da IBM e, também, de outros fornecedores de tecnologias. Entre outros exemplos, o Gartner cita a Microsoft, que incluiu no office 2007 ferramentas para a criação de aplicações compostas. Uma das primeiras iniciativas nesse sentido foi o projeto Mendocino, desenvolvido com a SAP, que coloca o Office na base dos serviços corporativos criados em plataforma SAP.

PROGRAMADORES EM MASSA

Entrevista com Rod Smith - Vice-presidente da IBM para tecnologias emergentes:

“A grande vantagem do mashup corporativo é dar ao usuário comum condições de desenvolver aplicativos, sem depender do pessoal de TI”. É o que diz Rod Smith, vice-presidente da IBM para tecnologias emergentes:

INFO: Como as empresas podem usar o recurso de mashup em seus negócios?

SMITH: A tecnologia QEDwiki ajuda a criar aplicações flexíveis e de baixo custo, utilizando tecnologia abertas como Ajax e PHP. Antes, era difícil para empresas criar aplicações sem o envolvimento de profissionais de TI.

INFO: Quer dizer que não será preciso conhecer programação para desenvolver aplicativos?

SMITH: O objetivo é permitir que os usuários finais, não técnicos, possam criar aplicações especificas em cinco minutos, com mínimo de treinamento ou conhecimento de linguagens de programação. Eles poderão arrastar e soltar vários serviços web, como notícias, previsão do tempo e boletins sobre trânsito, e mescla-los com o conteúdo existente na empresa.

INFO: O modelo SOA não oferece os mesmos recursos do mashup?

SMITH: A diferença está no fato de que as aplicações mashup são criadas para situação específicas de negócios.

INFO: Em quanto tempo o conceito de mashup deverá estar incorporado à vida das empresas?

SMITH: Acreditamos que o enterprise mashup seja adotado em escala dentro de um quatro anos.

A microsoft tem um projeto já implementado disso tb… chamada popfly

Gostaria de saber como seria o desenvolvimento de aplicações complexas, visto que não é necessário nenhum conhecimento de programação!! ??? e as regras de negócio ??? e os ambientes heterogêneos ??? como integrar sistemas legados (como os que eu desenvolvo) ???

Será que isso é mais um modismo, sensacionalismo ou é uma tendência ???

Seja lá o que for ultimamente tenho ouvido falar bastante sobre simplificação,facilitação,abstração…nas revistas, jornais, sites e até aqui no GUJ fala-se de ferramentas que se propoêm fazer o trabalho do programador (parece até uma praga… :shock: ) , mais e na prática ??? se botar o usuário comum na cara do gol, será realmente que ele vai conseguir chutar e fazer o gol ???

quero ver até onde isso vai…

e vcs :?:

Eu acho que a tendência é do nível de programação ser cada vez mais alto. Pode ser que o primeiro passo para aumentar ainda mais o nível seja esse.

chequei no google sobre o popfly e vejam o que encontrei:

“Pois bem, a proposta do Popfly é dar às massas as inúmeras possibilidades das mashups, ou seja, àqueles que têm muita imaginação, mas não sabe o que é um <img src=?”> num HTML, a oportunidade de criarem seus próprios sistemas. Em outras palavras, é permitir que pessoas comuns, sem nenhuma noção em programação web, criem sistemas interativos baseados em serviços já existentes."

link completo: http://www.winajuda.com/2007/05/30/artigos/primeiras-impressoes-do-popfly/

Interessante são as afirmações que são feitas, fico impressionado.

Microsoft-popfly , IBM-soa/mashup, Apache Jboss rules… só tem gente grande. Será que somos descartaveis ?? parece até que todo mundo quer acabar com os programadores.

E se isso pegar ??? como vamos descolar nossas mixarias ???

O desenvolvimento de software vai acabar. A história está nos contando isso desde o começo. A 20 anos atrás a gente furava cartão para programar. Hoje é só arrastar e soltar (ou usar umas anotações). O nível de abstração está aumentando (Booch). Quando a abstração realmente chegar a um ponto onde o próprio homem de negócios resolve sozinho ele não vai precisar mais de uma equipe de TI.

O que está acontecendo com a gente é a mesma coisa que aconteceu com os engenheiros a 15 anos atrás… pode ser que o desenvolvimento de software não acabe em 10 anos, mas vamos ganhar R$ 1.500 por mês.

Tópico interessante, só não entendi o que quer dizer “acarajé x hamburguer”!

Alguem sabe? ehehe

O Yahoo também tem um sistema parecido e muito legal - hhttp://pipes.yahoo.com/pipes

Quanto aos desenvolvedores, como disse em um outro post sobre automatização, na verdade o programador em nível de negócio vai ser extinto, enquanto o cientista não, meu ponto de vista.

[quote=rodrigoy]O desenvolvimento de software vai acabar. A história está nos contando isso desde o começo. A 20 anos atrás a gente furava cartão para programar. Hoje é só arrastar e soltar (ou usar umas anotações). O nível de abstração está aumentando (Booch). Quando a abstração realmente chegar a um ponto onde o próprio homem de negócios resolve sozinho ele não vai precisar mais de uma equipe de TI.

O que está acontecendo com a gente é a mesma coisa que aconteceu com os engenheiros a 15 anos atrás… pode ser que o desenvolvimento de software não acabe em 10 anos, mas vamos ganhar R$ 1.500 por mês.

[/quote]

Concordo com vc. Só não entendi a sua analogia com os engenheiros, a profissão está longe de acabar e engenheiro não ganha 1500 por mês nem aqui nem na China.(Tah bom, na China tvz ganhe…hehehe)

Kenobi, acho que será o contrário! O que vc define como cientista? A meu ver quem fica são aqueles que sabem tirar dinheiro da tecnologia. Os caras que sabem casar objetivos do negócio com tecnologia.

Não acho que o engenheiro vai se dar mal.

O engenheiro vai administrar como e quem fará os códigos, por mais ‘fácil’ que sejam. No caso eu creio que os cientistas que vão se prejudicar uma vez que é a profissão dos mesmos que é facilitada com a vinda dessas ferramentas de altíssimo nível para o desenvolvimento de aplicações(o que pode acarretar menor salário, vide o ‘pode’).

[quote=lavh]

Concordo com vc. Só não entendi a sua analogia com os engenheiros, a profissão está longe de acabar e engenheiro não ganha 1500 por mês nem aqui nem na China.(Tah bom, na China tvz ganhe…hehehe)[/quote]

Estou me referindo a engenharia tradicional (civil, mecânica, como exemplo). A uns 15 anos atrás todo mundo queria ser engenheiro civil, eng. mecânico. Entupiram as universidades e hoje estão aí ou desempregados ou prestando concurso público. Eles ganham bem pouco. Com uns 3 anos de experiência é capaz que ganhem R$ 1.500 (conheço alguns). Muitos engenheiros são só projetistas. O advento da tecnologia CAD mudou muito.

[quote=rodrigoy][quote=Kenobi]
Quanto aos desenvolvedores, como disse em um outro post sobre automatização, na verdade o programador em nível de negócio vai ser extinto, enquanto o cientista não, meu ponto de vista.
[/quote]

Kenobi, acho que será o contrário! O que vc define como cientista? A meu ver quem fica são aqueles que sabem tirar dinheiro da tecnologia. Os caras que sabem casar objetivos do negócio com tecnologia.

[/quote]

Mas esses não serão os programadores atuais, poderão ter outros nomes, como “Modeladores”, algo assim. Os programadores no meu ponto de vista descerão o nível - cientista está para cálculos, novas descobertas como programação paralela, adoções de novos aproaches e até criar as ferramentas para os “modeladores”.

Só uma notinha, fiz um pipe em 15 segundos … hehe - http://pipes.yahoo.com/pipes/pipe.info?_id=4HCiOiVg3BGTbXXUl7okhQ

Tem uma pequena notinha sobre isso no meu blog para os interessados.

Talvez eu esteja viajando, mas na minha opinião, vão precisar cada vez mais de programadores.

E, se essas ferramentas vierema ter sucesso, talvez aí precisem de mais programadores ainda (para arrumar a casa depois de toneladas de código praticamente cuspidos).

É uma questão para se pensar…

Quando o sistema der erro não será necessário todo o conhecimento técnido de como foi desenvolvido o sistema? Ferramentas de automação são um auxílio sim, mas para resolver problemas muitas vezes temos que saber como funcionam internamente.

Não confunda geração de código com solução arquitetural. Você usa anotações? Elas poupam um bocado de código, certo? Dá muito pau? Preciso de uma tonelada de programadores para corrigir?

Soluções arquiteturais visam usar pouco código para fazer muita funcionalidade. Quanto menos código, menos manutenção e menos programadores…

Quem vai corrigir as cagadas será a equipe que desenvolve os sistemas de automação, pq ai a falha é do sistema, e não necessariamente cada empresa que use um sistema “automatizado” vai ter que montar uma equipe de manutenção.
Mas isso são outros 500 também, já entra em outros méritos.

[quote=rodrigoy][quote=lavh]

Concordo com vc. Só não entendi a sua analogia com os engenheiros, a profissão está longe de acabar e engenheiro não ganha 1500 por mês nem aqui nem na China.(Tah bom, na China tvz ganhe…hehehe)[/quote]

Estou me referindo a engenharia tradicional (civil, mecânica, como exemplo). A uns 15 anos atrás todo mundo queria ser engenheiro civil, eng. mecânico. Entupiram as universidades e hoje estão aí ou desempregados ou prestando concurso público. Eles ganham bem pouco. Com uns 3 anos de experiência é capaz que ganhem R$ 1.500 (conheço alguns). Muitos engenheiros são só projetistas. O advento da tecnologia CAD mudou muito.[/quote]
Já pensou que além do CAD podem ter n fatores envolvidos numa redução salarial (política, economia)? Tecnologia é só um entre os fatores.

Já disseram também que robôs iriam acabar com operários, que softwares iriam acabar com trabalhadores… Acabou?

Se for continuar com esse raciocínio, as IDEs estão contribuindo para o desemprego.

É esperar para ver.

Também acho que o mercado para programadores vai aumentar.

O que vai mudar com o tempo é a forma de se programar. Aliás, novas serão criadas!

Será que esse medo de faltar trabalho para nós não passou pela cabeça dos programadores na década de 80, ou de 90? No entanto a demanda só está aumentando!

Imaginema só quanto tempo levaria fazer uma aplicação web, com banco distribuído, instalada em um cluster, com controle de usuários, regras de negócios complexas, interface web rica… E escrita em assembly!

A abstração vai aumentar para nos permitir criar aplicações cada vez mais complexas.

Com o aumento no número de aplicações, aumentam os niveis. E em cada nível desse, com certeza haverá trabalho!

Só uma pausa para reflexão, não acabou, mas os metalúrgicos davam tranto problema que as plantas das fábricas hoje necessitam menos de 1/3 dos profissionais.

Na empresa do meu pai, ele automatizou algumas linhas e cortou mais de 65% de mão de obra… é meu caro, acabar não acabou, mas que vai reduzir ao máximo vai !!