Artigo que saiu no site Linha de Codigo:
Desde o momento em que ouvi falar em Java, mais ou menos em 1999, tive uma certa resistência em aceitar esta linguagem. Talvez seja apenas um preconceito meu, mas simplesmente não consigo me empolgar. Acho que a idéia da linguagem é ótima, os conceitos de orientação a objetos são fantásticos, produz um código mais seguro etc. Várias vezes comecei a fazer uns estudos auto-didatas mas algo sempre me tirava do caminho. No começo era a lentidão do código produzido. Ficava irritado ao extremo quando executava programas que pareciam não sair do lugar e que faziam coisas tão simples como conectar num banco de dados e consultar uma tabela. Depois foram as tentativas mal-sucedidas de construir interfaces de uma forma fácil, limpa e com código organizado. Até que me convenci que de fato o Java não foi feito para criar aplicações desktop. Mas o Java foi feito então para fazer que tipo de aplicação? Era para ser uma linguagem de eletrodomésticos. É verdade. Era mais uma das alucionações da SUN quando eles acharam que no futuro bem próximo (esse futuro já era para ter chegado) todos os aparelhos em nossas casas falariam em Java. Pois bem. A verdade é que o projeto em si foi pelo caminho totalmente diferente, fazendo com que o Java se tornasse hoje uma das principais linguagens de programação. Esse sucesso deve-se a vários fatores e podemos destacar alguns deles:
A necessidade real do mercado por uma linguagem que tivesse a orientação a objetos como o seu principal fundamento.
O fato de ser uma linguagem independente de plataforma de hardware e software, sendo preciso para tal apenas JVM.
A sua similaridade de sintaxe com C++ que atraiu muitos programadores que não abrem mão de códigos como:
for(.int i=1;i<=10;i++)
É uma linguagem mais fácil de aprender, se comparada ao C++.
Gerenciamento de memória próprio de forma que livrava o programador de certas preocupações.
Com todas essas características positivas era de se esperar o sucesso que de fato aconteceu. Não bastasse isso, a Microsoft contribuiu bastante com a sua incapacidade de inventar coisas novas permitindo assim que Java atropelasse em pouco tempo as linguagens tristes como Visual Basic e o modelo COM+. Mas por outro lado, como Java não foi projetado para ser o que é hoje, muitas coisas foram sendo desenvolvidas e/ou adaptadas ao longo do caminho. E isso teve o seu preço. Conceitos foram inventados, desenvolvidos, aplicados e logo em seguida trocados por outros diferentes. Acompanhar tudo o que tem acontecido com o Java nos últimos anos tem sido uma tarefa árdua e desafiadora para qualquer um. Vários padrões surgiram, mas também implementações diferentes desses mesmos padrões. Em consequência disso Java deixou de ser uma linguagem de programação e tornou-se hoje uma plataforma de desenvolvimento. Há tantos projetos paralelos que tratam de mesmas coisas que para quem está começando fica difícil fazer escolhas. Talvez essa confusão de conceitos e diferentes implementações somadas à falta de uma tecnologia definitiva e objetiva de criar interfaces desktop com capacidade de separação de código fonte propriamente dito da parte que trata de layout tem me deixado receioso em relação a essa tecnologia. Por outro lado, não vejo uma alternativa melhor. Tecnologia .NET da Microsoft está simplesmente fora de cogitação. Aquilo é uma das maiores enganações e gambearras já inventadas no mundo da informática, feito por quem estava correndo atrás de tentar retomar o espaço conquistado por Java. Por isso acho que hoje falta no mercado, apesar de tantas opções que temos, uma linguagem de programação com um ambiente de desenvolvimento que possuísse as seguintes características:
Ter uma interface e facilidade de uso como Delphi.
Possuir uma sintaxe, facilidade de acesso a banco de dados e ausência de tipagem como PHP.
Separar de forma definitiva layout da programação.
Tratar eventos dos objetos assim como Delphi os implementa e não da forma ridícula como são feitos em Java.
Ser independente de plataforma de hardware e software.
E o mais importante: abstraísse ao máximo tudo e absolutamente tudo que possa ser abstraído de tal forma que a gente se preocupe cada vez mais com regras de negócios e cada vez menos com códigos que poderiam ser implícitos. Quem gosta de ser mais detalhista e quisesse ter acesso ao coração do negócio que continuasse com Java ou C++.
Eu posso estar enganado, mas acho que uma ferramenta assim faria um tremendo sucesso, principalmente entre os desenvolvedores que trabalham nos sistemas empresariais que utilizam banco de dados. Desenvolver softwares como Corel Draw ou Excel por exemplo não seria possível fazer nessa linguagem por causa do alto nível de abstração. Ou então seria tão trabalhoso exatamente como é hoje fazer aplicações desktop em Java que acessam banco de dados.
Como as possiblidades de algo assim surgir nos próximos anos são mínimas, não nos restam muitas opções. Eu mesmo devo ficar ainda um bom tempo desenvolvendo em Delphi. É uma ferramenta que me dá produtividade de excelência e executáveis rápidos. Posso com ela implementar POO quando quero, e quando não quero não sou obrigado a tal. Da mesma forma como PHP, que tem sido cada vez mais a minha escolha.
http://www.linhadecodigo.com.br/colunas.asp?id_colunista=132
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