Pois é, como boa parte dos profissionais não aceitam oportunidades que não sejam claramente satisfatórias, não só no financeiro mas também ambiente, acaba criando essa velha história que você falou. Acho que já existe uma discussão parecida no fórum.
Existem “n” maneiras de ler esse estudo. O problema que temos (no geral) é com a qualidade da mão-de-obra, falar em 11 anos de estudos é uma piada, qual a especialização de quem acaba de sair do nosso segundo grau?
Hoje o Brasil é importador de mão-de-obra qualificada, verifiquem nas empresas em que trabalham quantos cargos mais especializados estão sendo ocupados por imigrantes.
Em T.I existem muitos profissionais qualificados ou profissionais com diploma? Pois uma das coisas que mais tem por aí são fábricas de diplomas “qualificando” da pior maneira possível diversas pessoas.
Eu não deixo de reconhecer que a oferta de vagas de emprego para cargos que exigem mais estudos esteja menor (eu e meus amigos sentimos isso) , mas a péssima qualidade de muitos cursos de nível técnico/superior é algo relevante para nós de T.I.
Eu acredito que um a forma de se resolver isso de vez, seria que as faculdades fizessem o esforço de padronizar o numero de horas de suas disciplinas e suas ementas. Fazer faculdade hoje pode ser difícil, principalmente os cursos presenciais como matemática.
Quantos aqui tiveram que fazer 2 ou 3 vezes a mesma disciplina por mudar de faculdade ao atender a oferta de emprego de outra cidade? Acredito que valeria a pena fazermos mais horas nas disciplinas e vermos seus conteúdos de formas mais amplas e profundas do que perdermos elas por causa das diferenças impostas pelas faculdades. A população está ficando esperta quanto a isso. Os estudantes precisam dessa flexibilidade porque não existe garantias de que ele possa ficar na mesma faculdade. Ví matérias como calculo 1, 2 e 3 sendo dadas muito rapidamente, sem dar tempo de absorver seu conteúdo (que é bem denso).
Hoje decidi que vou correr atrás de certificações. São cursos rápidos e baratas que vão currículo e ficam pra sempre.
No fundo todo mundo já sabe que as faculdades criam essas diferenciações pra prender os alunos. O mundo tá acordando.
É que me parece que algumas empresas ainda não caíram na real…
Querem um cara especializado, que vai sair produzindo já na primeira semana com os frameworks e tecnologias que elas usam? Paguem bem! Quem sabe, sabe! E quem sabe mesmo cobra o suficiente…
Querem um cara que manja bem de lógica, conhece as linguagens mais cotadas do mercado e tem grande potencial de aprendizado e lealdade com a empresa? Paguem o que merece, negociem e ensinem o que é necessário!
As empresas tem medo de dar treinamento, preferem ficar a mercê de profissionais mal-formados em uniesquinas da vida. Preferem pagar a mixaria pro medíocre do que manter um especialista.
Sabe, eu já to cansado de mandar currículo pra dezenas de empresas, cargos compatíveis com meu nível de conhecimento, e não ser chamado pra uma mísera entrevista…
A única coisa que eles olham no currículo é a pretensão salarial. Não querem saber do valor que tal profissional pode agregar à empresas, mas sim do quanto vão ter que gastar com o novo funcionário…
Estou farto desse pensamento de que funcionário é gasto. E infelizmente isso não acontece só na TI…
Essa de pagar bem não resolve a falta de mão de obra. Falta gente qualificada sim. “Ah mas se as empresas pagassem bem iriam encontrar profissionais.” Iam sim, iriam tirar de outra empresa pra levar pra lá e o buraco ia rodando.
A melhor opção pra empresa talvez seja treinar quem está começando. E pra quem está começando, não espere das empresas e corra atrás de conhecimento e qualificação.
“Ah então está dizendo que as empresas já pagam bem?” Não, a maioria paga mal mesmo. Mas isso já é outro problema.
Essa expressão “onze anos de estudo” está sendo usada na matéria de um jeito enganador, para dar impressão que o pessoal é super estudado.
Mas o que são onze anos de estudo? Ensino fundamental e médio! E quem saiu há pouco tempo da escola (ou tem parentes nessa faixa etárea) sabe o que significa terminar o ensino médio: nada. Pelo diploma de ensino médio não dá nem para saber se a pessoa é alfabetizada ou não.
Acho que tudo remete à educação básica … Se não me falha a memória, meu avô teve apenas o 1o grau, mas tem acesso à cidadania. Consegue pelo menos ler um jornal e entender o que está lendo. Hoje em dia, tem muito diplomado que não dá conta de ler “O Menino do Dedo Verde”.
A percepção que tenho é que muitas das vagas disponíveis em TI poderiam ser preenchidas com bons profissionais de nível técnico. A deficiência na formação a meu ver vai além da formação técnica. O profissional médio chega ao mercado sem saber fazer uma média ponderada, uma regra de três ou redigir um e-mail simples, e a sociedade (coloque aí, governo e empresas) esperam resolver essa deficiência ampliando as vagas nas universidades.
Investir na formação técnica secundária seria a solução ao meu ver. Pois formaria profissionais com qualificação e necessidades adequados às vagas disponíveis. É claro que o salário inicial médio da área é uma micharia para um pai de família por exemplo, mas para um jovem entre seus 18 e 20 anos seria até razoável. O problema é que a juventude de 18 a 20 anos não sabe fazer o Ó com a %#%#, e a pequena parcela que sabe, se prepara para ingressar nas universidades de ponta.
[quote=rmendes08]Acho que tudo remete à educação básica … Se não me falha a memória, meu avô teve apenas o 1o grau, mas tem acesso à cidadania. Consegue pelo menos ler um jornal e entender o que está lendo. Hoje em dia, tem muito diplomado que não dá conta de ler “O Menino do Dedo Verde”.
A percepção que tenho é que muitas das vagas disponíveis em TI poderiam ser preenchidas com bons profissionais de nível técnico. A deficiência na formação a meu ver vai além da formação técnica. O profissional médio chega ao mercado sem saber fazer uma média ponderada, uma regra de três ou redigir um e-mail simples, e a sociedade (coloque aí, governo e empresas) esperam resolver essa deficiência ampliando as vagas nas universidades.
Investir na formação técnica secundária seria a solução ao meu ver. Pois formaria profissionais com qualificação e necessidades adequados às vagas disponíveis. É claro que o salário inicial médio da área é uma micharia para um pai de família por exemplo, mas para um jovem entre seus 18 e 20 anos seria até razoável. O problema é que a juventude de 18 a 20 anos não sabe fazer o Ó com a %#%#, e a pequena parcela que sabe, se prepara para ingressar nas universidades de ponta.[/quote]
kkkkkk
Cara eu pensei nessa expressão mas achei imprópria.
Observo algo muito pior.
Quanto mais qualificado o sujeito menos oportunidades de emprego aparecem.
Imagine que você acabou de tirar o seu mestrado: não é raro ver alguém do RH sequer te chamando para conversar por imaginar que seu salário será “alto demais”.
E ainda pior: tirou doutorado? Ok: sua vida será apenas acadêmica, porque o mito de que seu salário é “alto demais” fica ainda mais evidente.
De onde tirei isto? Da pura e simples conversa de boteco que tenho com o pessoal que trabalha no RH das empresas e também do contato com diversos amigos que passam exatamente por esta situação.
E sabem o que foi que também já observei, e isto graças à minha pesquisa sobre assédio moral em fábricas de software (http://www.itexto.net/devkico/?cat=63) ? Quanto mais qualificado o profissional, maior é a probabilidade deste sofrer assédio nas empresas no seu período inicial dentro destas devido a competição interna.
[quote=kicolobo]Observo algo muito pior.
Quanto mais qualificado o sujeito menos oportunidades de emprego aparecem.
Imagine que você acabou de tirar o seu mestrado: não é raro ver alguém do RH sequer te chamando para conversar por imaginar que seu salário será “alto demais”.
E ainda pior: tirou doutorado? Ok: sua vida será apenas acadêmica, porque o mito de que seu salário é “alto demais” fica ainda mais evidente.
De onde tirei isto? Da pura e simples conversa de boteco que tenho com o pessoal que trabalha no RH das empresas e também do contato com diversos amigos que passam exatamente por esta situação.
E sabem o que foi que também já observei, e isto graças à minha pesquisa sobre assédio moral em fábricas de software (http://www.itexto.net/devkico/?cat=63) ? Quanto mais qualificado o profissional, maior é a probabilidade deste sofrer assédio nas empresas no seu período inicial dentro destas devido a competição interna.
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Kico, eu tenho bem menos experiência que você na área, mas em conversa com professores e profissionais, eu percebo que, pelo menos na região de Campinas e na capital, há sim um grande mercado para pessoas com Mestrado e Doutorado. Para outros tipos de especialização fora o stricto sensu, também há muito mercado. Um bom campo que está crescendo demais aqui é a área de jogos, e a demanda por desenvolvedores que manjem muito de C++ e Álgebra Linear aumentou consideravelmente. Inclusive, meus estudos estão direcionados exatamente para essa área.
[quote=kicolobo]Observo algo muito pior.
Quanto mais qualificado o sujeito menos oportunidades de emprego aparecem.
Imagine que você acabou de tirar o seu mestrado: não é raro ver alguém do RH sequer te chamando para conversar por imaginar que seu salário será “alto demais”.
E ainda pior: tirou doutorado? Ok: sua vida será apenas acadêmica, porque o mito de que seu salário é “alto demais” fica ainda mais evidente.
De onde tirei isto? Da pura e simples conversa de boteco que tenho com o pessoal que trabalha no RH das empresas e também do contato com diversos amigos que passam exatamente por esta situação.
E sabem o que foi que também já observei, e isto graças à minha pesquisa sobre assédio moral em fábricas de software (http://www.itexto.net/devkico/?cat=63) ? Quanto mais qualificado o profissional, maior é a probabilidade deste sofrer assédio nas empresas no seu período inicial dentro destas devido a competição interna.
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De fato! É a situação diametralmente oposta do que eu coloquei. Se por um lado sobram vagas para as quais seriam suficientes profissionais com um nível técnico, por outro lado, faltam vagas para quem se especializa em tecnologia (e não em ferramentas). E isso nada mais é do que reflexo do mercado brasileiro, pois aqui só se faz software commoditie, salvo alguns centros de pesquisa, como Campinas, São Carlos, Recife, etc… O que eu observo também, é que não é interessante para o mercado brasileiro de software inovar na engenharia de software, é um mercado medíocre. Aqui, o empresário médio de TI quer mesmo cada vez mais estagiários fazendo CRUD na mão, pois eles não vendem software, vendem “homens-hora”. E quanto mais gente, mais inchado for o processo, melhor. Porque aí, pode-se cobrar mais, pagando sempre salário de fome para esses funcionários (mais-valia?).
[quote=Júlio Murta][quote=Maracuja]
O que falta no brasil sao pessoas qualificadas que trabalhem por um salario que mal paga as contas no fim do mes.
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???[/quote]
Ele quis dizer que existe gente capacitada, porém não aceitam os baixos salários oferecidos, que não condizem com a responsabilidade/conhecimento exigido.
[quote=Júlio Murta][quote=Maracuja]
O que falta no brasil sao pessoas qualificadas que trabalhem por um salario que mal paga as contas no fim do mes.
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[quote=LukeAsiq][quote=Júlio Murta][quote=Maracuja]
O que falta no brasil sao pessoas qualificadas que trabalhem por um salario que mal paga as contas no fim do mes.
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???[/quote]
Ele quis dizer que existe gente capacitada, porém não aceitam os baixos salários oferecidos, que não condizem com a responsabilidade/conhecimento exigido.[/quote]
se a palavra “falta” fosse trocada por “sobra” a frase ficaria perfeita.