Sergio Figueras:
Porquê se você for pensar, um cara desses envia um curriculum pra uma empresa, a empresa não faz um teste com o cara, contrata, e depois vê que se deu mal. E o mercado tá cheio desses caras, mas com isso, a inflação salarial dos bons programadores ou dos que estudam pra ser bons acaba aumentando.
Um exemplo, um cara desses faz um código lixo e mal encapsulado e cheio de problemas de segurança, ai, nós que temos o minimo de noção das coisas (patterns, etc), vamos lá pra solucionar. Vocês não acham que o nosso valor aumenta por causa do erro desses?
Concordam ou discordam , porquê?
Discordo. Esse pensamento é o que afunda uma profissão e em ultimo caso um pais.
Isso que vc descreveu é uma espécie de seleção natural darwiniana aplicada a profissionais. A falácia é pensar que as empresas são tão perfeitas quanto a natureza.
Quando o cara não for bom, a empresa vai culpar a profissão : “esses programadores java não valem nada”. Mesmo que culpe o cara, isso nunca será pessoal. Sempre acontece uma extrapolação.
Deixar que existam pessoas mal habilitadas para um profissão é SEMPRE RUIM. O que faz aumentar o salario de um profissional não é que todos os outros são uma merda, mas sim que todos os outros cobram o mesmo. Ou seja, a escolha tem que ser baseada na qualidade e não no preço. Apenas assim, a profissão ganha respeito. E só assim as empresas tomam vergonha em contratar um cara que cobre metade ou menos.
Mas ninguém nasce ensinado. Todos tivemos que aprender. Então é isso que é preciso que as pessoas entendam, tanto os profissionais quanto os empregadores. Se o cara é ruim não ha porque despedi-lo ha que treiná-lo. Isso promove um vinculo muito mais importante :confiança; Mas para treinar precisa de um profissional mais experiente. As empresas que só contratam zés sem experiência não estão jogando limpo e isso deve rebentar na cara deles. Mas a explosão deve acontecer pelo próprio processo e não porque os programadores bons vão boicotar as coisas. O problema hoje é que essa explosão é sempre na cara do profissional e da profissão com um todo e não na cara da empresa como deveria ser.
Aumentar o nivel de conhecimento, qualidade, empenho e , porque não, orgulho pela profissão, de qualquer profissional em qualquer área sempre aumenta as capacidade de todos como um conjunto. E isso é que faz os profissionais ganharem status e dinheiro. o inverso é também verdade. Lá porque alguem é famoso, tem status ou ganha bem, não significa que é bom. Orgulho pode virar arrogância muito rápidamente. O papel dos profissionais bons é controlar esses “dissidentes” que arruinam a imagem pelo caminho inverso.
Ha um outro ponto paralelo a tudo isto que é o seguinte: nem todo o mundo é talhado para ser programador/desenvolvedor/arquiteto/etc… é preciso ter talento. E se vc não tem talento, vc precisa compensar com esforço, estudo, etc… ou seja, primeiro vc tem que sentir o chamado, a força, sem ela nada é possível fazer. Os profissionais têm que saber e poder filtrar do seu meio quem não será capaz de ser profissional nunca, por muito treino que a pessoas receba. Esses sim, podem ser despedidos. Destinguir esses daqueles que simplesmente ainda não aprenderam o suficiente é o desafio.
Os profissionais têm que estar dispostos a este mecanismos de controle e as empresas têm que usar corretamente. O problema é que elas apenas exploram os profissionais e acham que eles são descartáveis.