Porque aceitamos tanto assedio moral

[quote=douglaskd]ViniGodoy o que acontece é o seguinte, eu te contrato pra trabalhar com java.

por algum motivo eu quero que você peça as contas mas não quero te demitir, te coloco pra trabalhar com VB6 ou tarefas não relacionadas a programação (e que sejam chatas) e espero você pedir as contas.

Quanto tempo você guenta ?[/quote]

Tive um caso parecido, acabei saindo da empresa algum tempo depois. Meu chefe me mandou pra fábrica porque eu me recusei a assinar um documento de má fé pra forçar o cliente a adquirir um produto e também porque eu não queria enrolar os outros clientes pra consumir horas de consultoria. Também já tive que ir deitado no porta-malas do doblô pra cortar gasto com táxi (o banquinho de lá já estava ocupado e eu tive que deitar pra não sermos parados nas blitz). Optei por não denunciar meu chefe, achei melhor procurar outro emprego e pedir a conta mesmo.

Eu sei que não sou fácil de lidar, mas, se eu sou obrigado a bater o ponto (algo estranho no trabalho de um consultor externo), vou pegar um táxi de volta à empresa e registrar minha saída pois me descontavam quando o cliente atrasava ou as atividades terminavam antes do fim do expediente. Eu gerava receita pra empresa atuando externamente, mas ela exigia que eu estivesse internamente caso ainda houvesse horário disponível no expediente, mesmo que eu não tivesse função alguma lá dentro. O pior era meu chefe achar ruim porque eu voltava pra bater o ponto (porque estava gastando táxi). Preferia fazer isso em vez de ficar puto por descontarem as horas no final do mês (exemplo: se eu saísse do cliente antes das 18h todos os dias, ficava devendo algumas horas no final da semana, pegando o táxi de volta, eu chegava depois das 18h, o que me rendia algumas algumas horas no banco de horas).

Enfim, eu jogava conforme as regras me permitiam, cada brecha que me ajudasse a não me ferrar ainda mais eu usava e acho que isso foi corroendo minha relação com meu chefe até chegar num ponto insustentável pra ambos (aquilo era uma guerra e não uma relação entre empregado e empregador). Eu tentei diversas vezes conversar, mas era em vão pois nem eu nem ele tínhamos inteligência emocional pra lidar com a situação. Com certeza eu era parte do problema também.

O problema maior foi ele ter me ameaçado. Mandou eu pedir demissão em uma semana. O prazo passou e ele fez da minha vida um inferno. Eu fui levando até conseguir sair para uma empresa onde eu quisesse ir (e a minha esposa, infelizmente, acabou absorvendo grande parte dos efeitos colaterais da minha decisão). Sair por sair era besteira no meu caso, eu também precisava querer ir para a futura empresa. Ficar desempregado não era uma opção (e nunca foi). Acabei passando por alguns problemas na outra empresa, mas não foram tão tensos porque tive ótimos chefes que me fizeram ver as coisas por outro ângulo (sem contar os grandes conselhos de grandes colegas de trabalho).

Não sei o porquê de ter aceitado tudo isso, mas sei que serviu pra eu consertar uma coisa importante. Como o problema me envolvia (acredito que eu tenha dado espaço para isso acontecer), resolvi consertar a parte que me cabia: eu mesmo!

[quote]
Eu fui contratado como especialista Java na Siemens e tive que manter um sistema em VB6. É chato, mas faz parte da profissão. Não vejo isso como um problema, desde que o seu trabalho não seja mexer na linguagem antiga.

Independente, você é programador em primeiro lugar, especialista em segundo.[/quote]

Nunca vi ninguem exigir de um pediatra fazer uma cirurgia no coração de alguem e dizer pro mesmo vc é medico em primeiro lugar, especialista em segundo.

Essa cultura de fazer um pouco de tudo e muito de nada e mais uma entre varias brasilidades nossas de cada dia. Experimentem fazer isso nos EUA com algum profissional e vc verá a especialidade do advogado dele.
Mas até ai por mim tudo bem, tambem me considero programador e linguagens basicamente são as mesmas coisas, vc dominando a logica bem vc estara apto a programar e todas elas com certa curva de aprendizado de certas coisas.
Mas também não é porque não me afete que não afetará os demais e o não estará sendo intransigente com o acordo inicial, pois não sei quanto a vcs mas nos processos seletivos quando expresso que tenho experiencia em Java,C#, VB6 e etc os selecionador(es) logo questionam a minha especialidade, ou seja independente de nossos preceitos ou senso social e corporativo fomos selecionados como especialistas.
Ja fui contratado como desenvolvedor e na pratica o meu trabalho era de analista de suporte bom fiz o que me pareceu mas logico fora, mas a questão é adianta?
Mais recentemente (bem recentemente mesmo) entrei em um projeto onde é preciso desenvolver no ambiente do cliente via acesso remoto, solicitei os devidos acessos e ferramentas para desenvolver, depois de uma semana aguardando e cobrando retorno dos analistas de suportes fui expor o drama para meu gestor (na minha opinião na hierarquia e estrutura da empresa seria o responsável por agilizar tais processos) e em vez de me direcionar para quem pudesse agilizar ou me ajudar a buscar alternativas o tal simplesmente me deu um esporro e disse que a atividade esta atrasada, que pouco importa pra ele se tenho ferramenta ou não, que me virasse pra fazer.
Bom caros colegas, esse tipo de coisa pode não se enquadrar juridicamente em “Assedio moral”, mas mesmo que se enquadre ou não e daí sabemos como a banda toca nesse nosso país.
Desde de que haja pessoas dispostas a se sujeitar a essa ou aquela situação sempre estarei a merce delas.

É como diz aquele ditado “Enquanto existir cavalo, São Jorge não andará a pé”.

[quote=MarkKnopfler]Eu não penso que manutenção de legados em tecnologia antiga seja “humilhante”. Sempre será necessário, ou nós saímos sempre reescrevendo todos os sistemas quando uma linguagem fica obsoleta?

Eu quero que a grande quantidade de sistemas feitos em Delphi (no qual trabalhei bastante tempo) continue precisando de manutenção e que ele vire o novo Cobol em alguns anos, pagando horrores pela falta de profissionais :D[/quote]

O problema não é no sistema legado em si, mas no rompimento do contrato. Se você vai trabalhar sabendo disso, e querendo isso (pelo alto salário, por gostar da linguagem, por acreditar que está se diferenciando, enfim, por qualquer motivo) é uma coisa. Se o legado não estava no acordo, mas é só uma parte do trabalho, também não vejo problema - como eu falei, me parece ser algo natural (porque as empresas não abandonam seus sistemas da noite para o dia).

Não concordo totalmente. Existem alguns legados cuja a procura de profissionais é muito pequena. Outra possibilidade é a empresa ter apostado numa tecnologia que não vingou, e você ter que trabalhar só nisso. Nesse caso, pode ser um assassinato profissional se desatualizar de um mercado onde há procura.

Agora, isso não necessariamente é assédio moral.

O assédio moral está mais ligado a postura. Como o douglas comentou é em você notar que seu chefe está fazendo isso porque tem algo contra você, e quer forçar uma demissão. Não precisa ser trabalhar com o legado, mas te colocar em algum tipo de “geladeira”: um projeto sem nenhuma importância, te deixar sozinho sem perspectiva de crescimento, ou mesmo, passar a te tratar de forma ofensiva ou diferenciada dos demais.

Não é humilhante manter legado. É humilhante o chefe deixar claro que seu “merecimento” seria só ficar no legado, dando a entender que você não seria capaz de tocar coisas “mais nobres”. Mesmo que seja só aos olhos desse chefe, ele está usando isso para mostrar um julgamento de valor perante a você e a equipe. Passando do limite.

[quote=snype][quote]
Eu fui contratado como especialista Java na Siemens e tive que manter um sistema em VB6. É chato, mas faz parte da profissão. Não vejo isso como um problema, desde que o seu trabalho não seja mexer na linguagem antiga.

Independente, você é programador em primeiro lugar, especialista em segundo.[/quote]

Nunca vi ninguem exigir de um pediatra fazer uma cirurgia no coração de alguem e dizer pro mesmo vc é medico em primeiro lugar, especialista em segundo.

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O exemplo foi infeliz, pediatria é uma especialidade feita após o curso de medicina, um cirurgião cardiaco é uma especialização, que é realizado após a especialização em cirurgia geral após o curso de medicina. Então um pediatra, a menos que também seja cirurgião cardiaco, não pode operar o coração de ninguém.

[quote=snype][quote]
Eu fui contratado como especialista Java na Siemens e tive que manter um sistema em VB6. É chato, mas faz parte da profissão. Não vejo isso como um problema, desde que o seu trabalho não seja mexer na linguagem antiga.

Independente, você é programador em primeiro lugar, especialista em segundo.[/quote]

Mais recentemente (bem recentemente mesmo) entrei em um projeto onde é preciso desenvolver no ambiente do cliente via acesso remoto, solicitei os devidos acessos e ferramentas para desenvolver, depois de uma semana aguardando e cobrando retorno dos analistas de suportes fui expor o drama para meu gestor (na minha opinião na hierarquia e estrutura da empresa seria o responsável por agilizar tais processos) e em vez de me direcionar para quem pudesse agilizar ou me ajudar a buscar alternativas o tal simplesmente me deu um esporro e disse que a atividade esta atrasada, que pouco importa pra ele se tenho ferramenta ou não, que me virasse pra fazer.
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Nesse caso deveria levar o problema para uma instancia superior.

[quote=snype][quote]
Eu fui contratado como especialista Java na Siemens e tive que manter um sistema em VB6. É chato, mas faz parte da profissão. Não vejo isso como um problema, desde que o seu trabalho não seja mexer na linguagem antiga.

Independente, você é programador em primeiro lugar, especialista em segundo.[/quote]

Nunca vi ninguem exigir de um pediatra fazer uma cirurgia no coração de alguem e dizer pro mesmo vc é medico em primeiro lugar, especialista em segundo.

Essa cultura de fazer um pouco de tudo e muito de nada e mais uma entre varias brasilidades nossas de cada dia. Experimentem fazer isso nos EUA com algum profissional e vc verá a especialidade do advogado dele.
Mas até ai por mim tudo bem, tambem me considero programador e linguagens basicamente são as mesmas coisas, vc dominando a logica bem vc estara apto a programar e todas elas com certa curva de aprendizado de certas coisas.
Mas também não é porque não me afete que não afetará os demais e o não estará sendo intransigente com o acordo inicial, pois não sei quanto a vcs mas nos processos seletivos quando expresso que tenho experiencia em Java,C#, VB6 e etc os selecionador(es) logo questionam a minha especialidade, ou seja independente de nossos preceitos ou senso social e corporativo fomos selecionados como especialistas.
Ja fui contratado como desenvolvedor e na pratica o meu trabalho era de analista de suporte bom fiz o que me pareceu mas logico fora, mas a questão é adianta?
Mais recentemente (bem recentemente mesmo) entrei em um projeto onde é preciso desenvolver no ambiente do cliente via acesso remoto, solicitei os devidos acessos e ferramentas para desenvolver, depois de uma semana aguardando e cobrando retorno dos analistas de suportes fui expor o drama para meu gestor (na minha opinião na hierarquia e estrutura da empresa seria o responsável por agilizar tais processos) e em vez de me direcionar para quem pudesse agilizar ou me ajudar a buscar alternativas o tal simplesmente me deu um esporro e disse que a atividade esta atrasada, que pouco importa pra ele se tenho ferramenta ou não, que me virasse pra fazer.
Bom caros colegas, esse tipo de coisa pode não se enquadrar juridicamente em “Assedio moral”, mas mesmo que se enquadre ou não e daí sabemos como a banda toca nesse nosso país.
Desde de que haja pessoas dispostas a se sujeitar a essa ou aquela situação sempre estarei a merce delas.

É como diz aquele ditado “Enquanto existir cavalo, São Jorge não andará a pé”.[/quote]

Cirurgião cardiaco e pediatras são especialidades médica.

Desenvolvimento de apps e cloud computing são especialidades em TI.

Java é apena uma ferramenta, como o estetoscópio usado pelos médicos. Não faz sentido especialista em Java, assim como faz sentido um médico especialista numa determinada marca de estetoscópio.

[quote=ImpossiveI]

Cirurgião cardiaco e pediatras são especialidades médica.

Desenvolvimento de apps e cloud computing são especialidades em TI.

Java é apena uma ferramenta, como o estetoscópio usado pelos médicos. Você pode se recusar a trabalhar com uma determinada marca de estetoscópio, mas o mercado espera que você conheça todos, se não conhece é inexperiente e não especialista.[/quote]

Comparar Java com estetoscópio, ou você não conhece medicina ou não conhece TI. Quem conhece um pouco de (quase) tudo é generalista.

Impossível,

Se você disser pra mim que sabe trabalhar com .net, java, C++ e Objetive-C eu não vou te pagar o dobro, mas posso até te contratar por ter esses diferenciais.

Agora se disser que já trabalhou como arquiteto java ou .net em um projeto monstruoso, e receber recomendações suas eu te pagaria o triplo.

Eu por exemplo estou seguindo a trilha do MCSD, se você tem razão, então certificações não deveriam existir ?

[quote=douglaskd]Impossível,

Se você disser pra mim que sabe trabalhar com .net, java, C++ e Objetive-C eu não vou te pagar o dobro, mas posso até te contratar por ter esses diferenciais.

Agora se disser que já trabalhou como arquiteto java ou .net em um projeto monstruoso, e receber recomendações suas eu te pagaria o triplo.

Eu por exemplo estou seguindo a trilha do MCSD, se você tem razão, então certificações não deveriam existir ?

[/quote]
Arquitetos (os puros) geralmente entram nos projetos mais pra brincar de TI e depois ir pra outro projeto, muitas vezes sem comprometimento.

[quote=javaflex][quote=douglaskd]Impossível,

Se você disser pra mim que sabe trabalhar com .net, java, C++ e Objetive-C eu não vou te pagar o dobro, mas posso até te contratar por ter esses diferenciais.

Agora se disser que já trabalhou como arquiteto java ou .net em um projeto monstruoso, e receber recomendações suas eu te pagaria o triplo.

Eu por exemplo estou seguindo a trilha do MCSD, se você tem razão, então certificações não deveriam existir ?

[/quote]
Arquitetos (os puros) geralmente entram nos projetos mais pra brincar de TI e depois ir pra outro projeto, muitas vezes sem comprometimento.[/quote]

sacanagem rsrs

Vamos trocar por Desenvolvedor Sr/Lider nivel maximo sei la.

[quote=A H Gusukuma]
Comparar Java com estetoscópio, ou você não conhece medicina ou não conhece TI. Quem conhece um pouco de (quase) tudo é generalista. [/quote]

São duas ferramentas de trabalho, por que não podem ser comparadas?

[quote=ImpossiveI][quote=A H Gusukuma]
Comparar Java com estetoscópio, ou você não conhece medicina ou não conhece TI. Quem conhece um pouco de (quase) tudo é generalista. [/quote]

São duas ferramentas de trabalho, por que não podem ser comparadas?

[/quote]

Poder, pode. Mas, não deveria.

[quote=douglaskd][quote=javaflex][quote=douglaskd]Impossível,

Se você disser pra mim que sabe trabalhar com .net, java, C++ e Objetive-C eu não vou te pagar o dobro, mas posso até te contratar por ter esses diferenciais.

Agora se disser que já trabalhou como arquiteto java ou .net em um projeto monstruoso, e receber recomendações suas eu te pagaria o triplo.

Eu por exemplo estou seguindo a trilha do MCSD, se você tem razão, então certificações não deveriam existir ?

[/quote]
Arquitetos (os puros) geralmente entram nos projetos mais pra brincar de TI e depois ir pra outro projeto, muitas vezes sem comprometimento.[/quote]

sacanagem rsrs

Vamos trocar por Desenvolvedor Sr/Lider nivel maximo sei la.[/quote]

Programação web é uma especialidade. Saber vários domínios, diferente de programação web, o torna um generalista.

Acho que não é muito complicado de entender cara, agora, pessoas investidas no mercado de terceirização de mão de obra pode ter menos incentivos para aceitar essa visão visto que é mais fácil pra quem nunca programou um software na vida mas que paga o salário, se basear na popularidade de linguagens do que de dominios de atuação.

A menina do RH por exemplo, pode saber qual framework é java, mas é mais difícil saber qual faz o que (sua especialidade).

A questão é quem define TI pra vc, os profissionais que atuam na área ou gerentes de RH que nunca desenvolveram software na vida. :smiley:

[quote=A H Gusukuma]
Poder, pode. Mas, não deveria. [/quote]

Quem conhece um pouco de tudo é intelectual.

[quote=douglaskd][quote=javaflex][quote=douglaskd]Impossível,

Se você disser pra mim que sabe trabalhar com .net, java, C++ e Objetive-C eu não vou te pagar o dobro, mas posso até te contratar por ter esses diferenciais.

Agora se disser que já trabalhou como arquiteto java ou .net em um projeto monstruoso, e receber recomendações suas eu te pagaria o triplo.

Eu por exemplo estou seguindo a trilha do MCSD, se você tem razão, então certificações não deveriam existir ?

[/quote]
Arquitetos (os puros) geralmente entram nos projetos mais pra brincar de TI e depois ir pra outro projeto, muitas vezes sem comprometimento.[/quote]

sacanagem rsrs

Vamos trocar por Desenvolvedor Sr/Lider nivel maximo sei la.[/quote]
Com certeza nesses casos concordo pois estão mais envolvidos em entregar valor para o cliente.

Aposto que tem um monte desses aqui no fórum.

[quote=ImpossiveI][quote=A H Gusukuma]
Poder, pode. Mas, não deveria. [/quote]

Quem conhece um pouco de tudo é intelectual.[/quote]

Quem acha que conhece um pouco de tudo é um pretensioso.

intelectual, especialidade, generalismo…
Não existem linhas delimitadoras marcando… ahhh sou especialista nisso ou naquilo.
vcs percebem que depende dos contextos onde o indivíduo (ou processo) analisado está inserido?
Se compararmos um engenheiro eletrônico atuando em automação industrial à um engenheiro eletrônico atuando em produção de microcontroladores, qual seria o mais especializado e como eles obtiveram essas diferenças? motivação, tempo e estudo. Independentemente do curso ou do diploma que tiverem. O que mais vai determinar sua capacidade de enxergar além é sua propria motivação. Ninguem tem o que discutir isso. É fato. E pra aqueles que duvidam, é só terem coragem de fazer um teste de homem: expor alguém que empurrou o curso com a barriga e colava nas provas e comparar com algum que nunca beirou de um diploma mas nasceu no meio das maquinas e come silício no café da manhã pra verem qual vai se sair melhor. O mundo tem que aceitar e estar preparado de que vão existir muitas pessoas que vão divergir e mesmo assim vão chegar aos mesmos resultados. Se não permitirem, como podem falar de especialização ou evolução social?

Para um generalista sair deste ponto ele precisa de demanda, tempo, estudo, experiência… Onde é ele vai adquirir isso? Só se tiver oportunidade. Querem que ele adquira experiência sem dar oportunidade?

Os intelectuais estão morrendo? sim, é verdade, porque eles hoje estão sendo neutralizados antes das sementes começarem germinar. Por exemplo, quando vc responde um aluno que pergunta quando vou ver isso na minha vida e responde que a prova faz parte da vida, vc não tá contribuindo com o aprendizado do aluno. só tá mantendo ele na alienação. O aluno tem que questionar. Salas com 40 50 alunos não rendem! Cursos bons vão ter no máximo 15 alunos, porque se não não ah tempo para aluno questionar. Eu ia para monitoria do curso de matemática e os professores não tinham tempo pra responderem minhas perguntas porque os outros 40 tbm tinham. Se é pra ser assim, prefiro a internet! um bilhão de vezes óbvio isso, não?
Alguns meses atrás, conversando com um empresario e ex professor de Goiânia, ele me disse que é assim mesmo as coisas. Primeiro vc vai pra faculdade, faz sua graduação, enfia um monte de tranqueiras na cabeça meio que sem saber porque e só lá no doutorado, quando vc vai estudar a filosofia, historia e contexto das coisas que tudo converge pra algo que se entenda e tudo passa a fazer sentido. Bom, a motivação de tudo ser assim é: O modelo industrial atual exige isso (sugiro que vejam o filme teorema zero). Não interessa pra modelo atual que vc saiba onde tudo vai convergir, e sim o que vc faça seu trabalho.
Não dá pra dizer se uma pessoa é boa ou ruim pra isso ou aquilo até que vc pegue ela e a prove. nenhum RH maluco vai conseguir suprir as necessidades das empresas por especialistas sem ter conhecimento profundo da área. E quando se fala de terceirização de RH hoje pra mim o que me vem a mente é só 2 coisas: Máfia e bagunça. Acham que não conheço como funciona as coisas? sabem quantas vezes atravessei nas filas só por molhar o bico com 100 do analista de RH? 3 vezes. Passei nas 3 provas!

O mundo tem que abrir espaço pra quem faz as coisas funcionarem independentemente de terem diploma disso ou daquilo.

[quote=Ataxexe][quote=douglaskd]ViniGodoy o que acontece é o seguinte, eu te contrato pra trabalhar com java.

por algum motivo eu quero que você peça as contas mas não quero te demitir, te coloco pra trabalhar com VB6 ou tarefas não relacionadas a programação (e que sejam chatas) e espero você pedir as contas.

Quanto tempo você guenta ?[/quote]

Tive um caso parecido, acabei saindo da empresa algum tempo depois. Meu chefe me mandou pra fábrica porque eu me recusei a assinar um documento de má fé pra forçar o cliente a adquirir um produto e também porque eu não queria enrolar os outros clientes pra consumir horas de consultoria. Também já tive que ir deitado no porta-malas do doblô pra cortar gasto com táxi (o banquinho de lá já estava ocupado e eu tive que deitar pra não sermos parados nas blitz). Optei por não denunciar meu chefe, achei melhor procurar outro emprego e pedir a conta mesmo.

Eu sei que não sou fácil de lidar, mas, se eu sou obrigado a bater o ponto (algo estranho no trabalho de um consultor externo), vou pegar um táxi de volta à empresa e registrar minha saída pois me descontavam quando o cliente atrasava ou as atividades terminavam antes do fim do expediente. Eu gerava receita pra empresa atuando externamente, mas ela exigia que eu estivesse internamente caso ainda houvesse horário disponível no expediente, mesmo que eu não tivesse função alguma lá dentro. O pior era meu chefe achar ruim porque eu voltava pra bater o ponto (porque estava gastando táxi). Preferia fazer isso em vez de ficar puto por descontarem as horas no final do mês (exemplo: se eu saísse do cliente antes das 18h todos os dias, ficava devendo algumas horas no final da semana, pegando o táxi de volta, eu chegava depois das 18h, o que me rendia algumas algumas horas no banco de horas).

Enfim, eu jogava conforme as regras me permitiam, cada brecha que me ajudasse a não me ferrar ainda mais eu usava e acho que isso foi corroendo minha relação com meu chefe até chegar num ponto insustentável pra ambos (aquilo era uma guerra e não uma relação entre empregado e empregador). Eu tentei diversas vezes conversar, mas era em vão pois nem eu nem ele tínhamos inteligência emocional pra lidar com a situação. Com certeza eu era parte do problema também.

O problema maior foi ele ter me ameaçado. Mandou eu pedir demissão em uma semana. O prazo passou e ele fez da minha vida um inferno. Eu fui levando até conseguir sair para uma empresa onde eu quisesse ir (e a minha esposa, infelizmente, acabou absorvendo grande parte dos efeitos colaterais da minha decisão). Sair por sair era besteira no meu caso, eu também precisava querer ir para a futura empresa. Ficar desempregado não era uma opção (e nunca foi). Acabei passando por alguns problemas na outra empresa, mas não foram tão tensos porque tive ótimos chefes que me fizeram ver as coisas por outro ângulo (sem contar os grandes conselhos de grandes colegas de trabalho).

Não sei o porquê de ter aceitado tudo isso, mas sei que serviu pra eu consertar uma coisa importante. Como o problema me envolvia (acredito que eu tenha dado espaço para isso acontecer), resolvi consertar a parte que me cabia: eu mesmo![/quote]

Isso pra mim é só mais uma demonstração de como as leis trabalhistas no Brasil podem ser muito desfavoráveis a quem trabalha de forma correta. Se o FGTS, inclusive a eventual multa, o décimo terceiro e os valores das férias não ficassem nas mãos do empregador ou do governo e fossem entregues ao empregado junto com o salário, ou numa conta com regras específicas, mas sob posse do empregado, não haveria necessidade desse joga de empurra na hora de rescindir o contrato. Um funcionário que quisesse sair nao precisaria ficar fazendo corpo mole e um diretor que quisesse demitir não precisaria ficar fazendo contas. Ninguém sairia perdendo, mas…