Aplicações estão cada vez mais completas
Não basta programar, tem de especificar os requisitos, testar e ainda gerenciar as mudanças. É isso que as ferramentas de desenvolvimento de aplicações estão prometendo ? e cumprindo. A endência de oferecer um único produto para elaborar sistemas corporativos com todas essas funções integradas ganhou corpo no ano passado e, ao que tudo indica, veio para ficar.
Sorte das empresas, que ainda dependem em grande parte do desenvolvimento interno. Uma pesquisa realizada pelo Gartner nos Estados Unidos, Europa,Austrália e Japão com cerca de 700 corporações de grande porte mostrou que 75% delas desenvolvem sistemas em casa, enquanto 65% compram pacotes de software e 60% terceirizam o desenvolvimento.
Fazer sistemas é como construir um edifício: trata-se de um trabalho demorado e composto de muitas fases, tijolo por tijolo, bit por bit. Com o tempo, os fornecedores foram percebendo que poderiam oferecer todas as etapas ? da ?planta? do sistema ao último retoque de tinta ? em um só pacote de soluções. Na década de 80, a grande preocupação era a linguagem em que um sistema seria desenvolvido e as fornecedoras tinham pouco mais do que uma espécie de editor de texto com capacidade de compilar o código. Com o passar do tempo, muitas outras características foram agregadas e a complexidade aumentou.
A tendência de ferramentas com múltiplas funções integradas surgiu da necessidade de simplificar esse processo, cortar custos e aumentar a qualidade do produto final. Deu certo. Hoje, os fornecedores que oferecem esse tipo de facilidade contam com a aprovação de seus clientes. ?Os paradigmas para construir um software mudaram. Hoje é preciso oferecer um conjunto de funcionalidades integradas. O cliente nem percebe as fronteiras entre as ferramentas?, afirma João Carlos Bolonha, gerente de produto da Borland.
A empresa tem como destaque três ferramentas de desenvolvimento: Delphi 8 para .Net, JBuilder X e C++ Builder X. Os clientes estão em todos os setores, mas o destaque vai para as áreas financeira, de alta tecnologia e telecomunicações. Na opinião do gerente da IBM Rational para a América
Latina, Marco Bravo, nos próximos três anos todo o ambiente para desenvolvimento exigirá integração. ?Desde definir os requisitos, até programar e modelar, testar e, se necessário, controlar as alterações que possam ser feitas.?
Padrões abertos também estão em alta. ?Nossa visão ? e isso vale para a IBM como um todo ? é que as ferramentas têm que suportar padrões abertos. Os modelos que são construídos para uma aplicação têm que conversar com outra aplicação feita com outra ferramenta?, diz Bravo.
Um outro fator também ajudou a moldar a evolução das ferramentas: a crescente preocupação com a qualidade. Na média, as taxas de insucesso em projeto de software é muito alta ? em alguns casos supera 50% ?, o que despertou uma busca por controles mais rigorosos. ?O mercado hoje está sedento por qualidade?, diz Bolonha, da Borland.
A parte de testes evolui seguindo a mesma lógica. Qualquer conjunto de melhores práticas sugere que se avalie uma aplicação imediatamente após desenvolvê-la. No dia-a-dia de trabalho, entretanto, o desenvolvedor pode simplesmente pular essa parte do processo de construção de software.
Foi exatamente o que fez a Datasul, fornecedora de software de gestão corporativa. Em 2002, a empresa procurou no mercado uma ferramenta com múltiplas funções e acabou fechando com a Rational, que na época ainda não havia sido incorporada pela IBM. ?Queríamos uma ferramenta de desenvolvimento completa?, conta Roberto Espinha, gerente de desenvolvimento e testes da Datasul.
A principal função que a software house brasileira buscava era a parte de testes. A Datasul utilizou a ferramenta no desenvolvimento do módulo Vendor, que foi agregado ao Finanças Enterprise, produto de gestão empresarial e finanças da fornecedora.
Como o teste fica gravado na ferramenta de automação, o programador é avisado sobre qualquer desvio de padrão e a repetição dos testes é muito fácil, trazendo ganhos de confiabilidade e facilidade de restaurar as aplicações. Espinha conta que a solução da IBM Rational reduziu o tempo de para a liberação comercial dos produtos de um ano para seis meses. Um dado que por si só já
justifica o investimento feito na tecnologia.
BEA Systems une desenvolvimento e integração
Embora também possa concorrer com as fornecedoras de ferramentas de desenvolvimento, a BEA Systems é definida como uma empresa de plataforma de aplicações, o que significa a junção de servidor de aplicações, plataforma de integração e portal. Assim como a Oracle, SAP e IBM, a BEA oferece infra-estrutura para o software funcionar.
No ano passado, a empresa lançou o resultado de uma arrojada aposta no desenvolvimento tecnológico, a WebLogic Plataform 8.1. A plataforma está focada diretamente em convergência, reunindo integração de aplicações e desenvolvimento. ?Os clientes hoje podem se ater a uma solução única para construir aplicações, integrar processos essenciais e expor informações e serviços valiosos por meio de soluções integradas de portais?, diz Charlie Ill, vice-presidente da BEA Systems.
?Integração de aplicações é sempre considerada como o item prioritário na agenda dos CIOs. A despeito disso, os brokers de integração só conseguiram dominar 6% do mercado nos Estados Unidos?, diz. ?Acreditamos que o mercado de EAI (Enterprise Application Integration) tem falhado em responder às necessidades das empresas até hoje.?
Uma das razões pelos quais esses fornecedores falharam, avalia o executivo, é que eles criaram uma barreira artificial entre o time de desenvolvimento de aplicações e os times de integração dentro da TI. Ill afirma que a BEA foi a primeira empresa a reconhecer que integração e desenvolvimento devem convergir dentro da infra-estrutura. ?Mas nossos clientes perceberam essa necessidade antes e estão agora promovendo uma mudança no mercado, distanciando-se dos EAI tradicionais e
proprietários?, afirma.
O gerente de pré-vendas da BEA Systems para a América Latina, Márcio Butuem, explica que um componente-chave da WebLogic Plataform 8.1 é o WebLogic Workshop, ferramenta de desenvolvimento com facilidade de uso semelhante ao Visual Studio, o que reduz a curva de aprendizado. Além disso, o Workshop é uma ferramenta única para todo o desenvolvimento. ?As pessoas que vão trabalhar com portal, aplicações e integração não precisam utilizar três ferramentas?, explica. ?Apesar de ser uma ferramenta gráfica, o workshop gera o código limpo, apenas Java. Por isso, se for necessário o programador passa o código para um outro profissional que trabalha apenas com ferramentas mais complexas de usar, como o JBuilder, e ele pode pegar o código puro e trabalhar.?
Atualmente a ferramenta Workshop é gratuita, pois a BEA tem real interesse nos servidores deaplicação e integração ?que são os software Web Logic Server, WebLogic Portal e WebLogic Integrator. O Workshop vem embutido nesses produtos.
