[quote=Impossivel][quote=rmendes08]
Simples, é só pegar um livro qualquer do Karl Marx ou do Friedrich Engels (se algum dia tiver o interesse, claro), que deixam bem claro que o objetivo final do socialismo é a destruição do Estado, da divisão do trabalho e consequentemente, das classes sociais.[/quote]
É só vc pegar um socialista e perguntar se ele é contra o estado.
Não interessa o que marx falou antigamente, e sim o que socialistas falam hj.[/quote]
Sinceramente, me assusta (assusta mesmo, não é força de expressão) a forma como as pessoas estão aderindo aos ideais de esquerda hoje em dia, sem se dar conta do que representam e como funcionam. Essa busca pela padronização, pelo sufocamento do indivíduo perante o coletivo já causou tragédias suficientes para que fosse enfim enterrada e lacrada em caixões de concreto, como se fazem com os materiais radioativos. Mas não, ao invés disso, estão aí ainda e persistem e persistem, e persistem, até que finalmente vençam novamente e novamente causem mais tragédias.
Qualquer forma de coletivismo é desrespeito ao indivíduo, e não precisa muito mais do que uma simples reflexão sobre você mesmo, para perceber a importância do indivíduo. E as tentativas de padronização são uma forma de coletivismo. É absolutamente legítimo você buscar convencer os indivíduos sobre a importância de um tema, a questão ambiental, por exemplo. Mas quando você procura impor seu ponto de vista na forma de lei (como os socialistas normalmente defendem), você começa a trilhar um caminho perigoso. Porque existe alguém definindo o que é certo e o que é errado e baixando legislação em cima disso. Eu não preciso ficar perdendo tempo aqui pra elencar todas as vezes que tentou se fazer isso e como terminou.
A tentativa de padronização de Ford revolucionou a indústria porque mudou de um modelo artesanal para um modelo de setorização da produção. Isso nada tem a ver com a divisão de trabalho tratada por Adam Smith, que se refere as profissões. O erro, ou pelo menos a diferença para os modelos atuais, de Ford estava na expectativa de que o ser humano pudesse ser substituído por outro sem prejuízo para o processo. Isso funcionou relativamente bem por um bom tempo, embora a culpa recaísse, e continuar recaindo, sobre as pessoas e não sobre o modelo, quando um indivíduo menos experiente não consegue substituir um mais experiente a altura.
O modelo de Ford se tornou ultrapassado quando a Toyota descobriu que no centro das coisas estava o ser humano, e passou a dar mais ênfase a experiência de cada indivíduo e a forma como ele pode contribuir no processo, do que ao processo em si. A modelo da Toyota é por a pessoa acima do processo. O indivíduo acima do coletivo.
E a Toyota não é menos liberal, nem menos Adam Smith por isso, muito pelo contrário, descobriu uma forma muito mais eficaz de produção. Isso fruto de uma necessidade de livre mercado, precisava produzir a preços mais baixos que as industrias americanas, sem ter o poder de investimento que as americanas tinham. Eis a mão invisível do mercado agindo.
O Impossível tem razão quando diz que o que queriam Marx e Engels era a igualdade entre as pessoas, mas igualdade entre as pessoas é utópico e, como visto, só pode ser conseguido pelo uso da força. No final você tem todo mundo igual, sem direitos, sem identidade, sem dinheiro, sem liberdade. Sem liberdade sequer para abandonar esse ambiente utópico.
Os socialistas, na minha opinião, desde Marx até os atuais, cometem dois grandes erros:
O primeiro, e o maior dos dois é achar que podem controlar a economia. Eles dizem que o livre mercado é ruim e privilegia quem não tem escrúpulos. Mas o livre mercado nada mais é que a livre troca de bens e serviços entre as pessoas. E como as pessoas são seres cada um diferente do outro e cada um com desejos e necessidades diferentes, ao se tentar padronizar por meio de um poder central regulador o que entra e o que não entra na economia e o que deve e o que não deve ser comercializado e como, o poder central impõe na marra aquilo que as poucas pessoas que compõem esse poder central julgam que é necessário. Enquanto no livre mercado é a demanda que determina o que serve e o que não serve. Você pode construir a mais sensacional máquina de escrever da história hoje, mas não vai conseguir vender, porque as pessoas não estão interessadas em máquinas de escrever. E por isso o socialismo erra ao ignorar a economia, com disse o rmendes e privilegiar a sociologia. Não existe sociologia sem economia, não existe estudo da civilização humana, nem das relações pessoais sem economia.
O segundo grande erro do socialismo é atribuir ao capital, ou o acúmulo dele, a fonte de todo o mal da economia. O grande problema e o grande fator gerador de injustiças está no uso do poder. É o poder que tem a força para deixar o rico mais rico e o pobre mais pobre, não o capital. Se quem tem dinheiro não tiver como correr para o estado em busca de apoio, na forma de leis e regulamentações, para o seu negócio, ele está a mercê da concorrência como qualquer outro. É muito raro, pra não dizer impossível, que qualquer setor consiga criar e manter monopólios e oligopólios sem a ajuda de leis e regulamentações protegendo seus negócios. Exemplos disso não faltam no Brasil. Mas o erro dos socialistas é culpar os empresários e o capital por isso e não aquilo que de fato faz com que as injustiças sejam possíveis. O poder. Ainda que você remova o capital das mãos das empresas privadas e passe todo o controle dele para o estado, como defendem os marxistas, como forma de transição, você não eliminou a fonte das injustiças, que é o poder. O poder continua existindo e continua gerando injustiças, como vimos nas tentativas socialistas. A diferença é que agora ele não pode mais ser comprado com dinheiro. Mas pode ser com favores, com amizade, com camaradagem. E mesmo nos países socialistas sempre existiram os amigos do rei, e com mais poder, e gerando mais injustiças que no sistema capitalista.
A solução é diminuir o poder do estado, não aumentar. Até que ponto eu não sei. Se livre mercado, se pequena regulamentação, se regulamentação maior em algumas áreas, com “welfare state” sem “wellfare state”. Para isso eu não tenho a resposta. O que eu sei é que a atuação do estado na economia (abrindo espaço para discussão sobre educação e saúde), deveria ser somente para garantir que haja concorrência livre em todos os setores e evitar que surjam monopólios. Que embora raros sem atuação do governo podem acontecer. É isso que deveríamos cobrar do estado, com relação à economia.
Em resumo, sem essa de padronização e coletivização. Isso já deu M o suficiente para que tenhamos aprendido a lição.